Entrevista: As Novas Andanças de André Luiz

01-05-2012 00:00

 

Segundo o referencial Espírita, o espírito de André Luiz - alvo de muita adoração, especulação e crítica - tornou-se famoso graças à mediunidade de Chico Xavier. Antes mesmo deste vir a falecer, outros médiuns afirmaram ter psicografado mensagens do mesmo espírito, entre eles, Waldo Vieira e R. A. Ranieri.
 
Entre os espíritas considerados ortodoxos, ou seja, aqueles que consideram apenas os escritos de Allan Kardec como a Verdade Absoluta, onde qualquer outra informação adicional proveniente de outras fontes espirituais é logo tratada como mistificação ou animismo, André Luiz é tratado como "espírito obsessor". Inclusive há entre eles os que afirmam também que ele nunca existiu, não passando de animismo do médium Chico Xavier. 
 
Entre aqueles que cultuam o suposto espírito - que apenas como esclarecimento são a grande maioria dos espíritas - a obra de André Luiz, ou pelo menos a série psicografada por Chico Xavier, é considerada "complementar à Doutrina Espírita", estando incluída no catálogo editorial da própria Federação Espírita Brasileira.
 
Porém, em 2011, a médium Cristina Lessa Cereja lançou pela editora Livre Expressão, um livro muito interessante, mas que colocará mais lenha nessa explosiva relação de amor e ódio ao provável espírito André Luiz, dentro do movimento espírita brasileiro. O livro se chama “Morte e Libertação” e foi supostamente ditado por ele. Na obra, entre outros assuntos, André Luiz fala sobre relações sexuais nos planos superiores e, inclusive, sobre como os novos espíritos são criados.
 
Para mim que não sou espírita, mas apenas um amante do imaginário, estudando o que Kant chamou de "narrativas visionárias", em seu famoso estudo da mediunidade e vidência de Emmanuel Swedenborg, o livro é fascinante. As polêmicas travadas pelos espíritas, por exemplo, se existe ou não animais no "plano espiritual", uma vez que Kardec parece afirmar que não existe, enquanto André Luiz, entre outros espíritos, afirma que sim, me parece algo bem pueril, já que não temos como provar quem está correto. Mas espero que este último esteja certo, pois com certeza, se existir vida após a morte, ela deve ser muito mais bela e agradável com animais do que sem eles.
 
Abaixo, entrevistamos a médium Cristina Lessa Cereja:
 
1 - Cristina, como você, que diz ter contato mediúnico com André Luiz, trabalha internamente a polêmica em relação ao nome dele no meio espiritista. O que você pensa daqueles que dizem que ele foi um obsessor do Chico Xavier, ou que ele nem mesmo existiu, pois seus livros seriam plágios que o médium Chico Xavier teria feito de obras de médiuns norte-americanos?
 
Considero que todas as pessoas têm direito a uma opinião pessoal. Esse é um direito inalienável do ser humano, e costumo respeitar muito as crenças individuais, mesmo quando as opiniões possam ser contrárias àquilo que acreditamos. Infelizmente o ser humano sempre teve o hábito de julgar sem conhecimento, fato que já causou na história da humanidade tanto sofrimento a almas tão puras, que aqui estiveram apenas com o intuito de esclarecer e ensinar ao homem o bem-viver.  Não precisamos de um exemplo melhor do que o próprio Cristo, e o de tantos homens e mulheres que foram sacrificados por pregarem o amor e a união; e pouco tempo depois, foram santificados e endeusados por suas ações e ideologias pela mesma humanidade que outrora os julgara e condenara tão barbaramente. Este fato só prova que a verdade tem sua própria força. É a Luz que sempre invade as Trevas, e nunca ao contrário. Infelizmente ainda teremos por muito tempo mentes arbitrárias em meio à multidão de consciências que habitam a esfera terrestre. E, no entanto, todas com o direito e o dever de expressarem as suas próprias verdades e valores. Nada existe por acaso, e certamente tudo isto já está previsto por uma Mente Superior e Divina, que a tudo comanda, cujo planejamento evolutivo da humanidade compreende todas estas questões e diferenciações, até que a humanidade atinja o nível da harmonia e união ansiosamente aguardadas. André Luiz, como tantas outras consciências extracorpóreas, é mais um guerreiro da Luz, que com extrema coragem não se deixa abater por críticas ou difamações injustas, e persiste com audácia e determinação frente à proposta de elucidar a humanidade, conferida a si, certamente, por suas qualidades inquestionáveis. Não pode haver maior reconhecimento acerca das verdades que ele entoa em suas obras do que as críticas que recebe. A verdade sempre incomoda, e o despeito e as agressões nada mais são do que uma tentativa ingênua e imatura de procurar ofuscar o brilho de quem, não sem esforço e sofrimento, conseguiu vencer a si mesmo, construindo à sua volta um percurso de tanta Luz e Sabedoria.
 
2 - Duas grandes objeções aos livros de André Luiz seriam em relação a existência de "colônias espirituais", como seria o caso de Nosso Lar, e sobre a existência de animais. O que você ou o próprio André Luiz fala a respeito?
 
Mais uma vez são colocadas aqui as questões daqueles que exigem comprovação. Mas estas provas só podem ser ofertadas aos que se abrem de coração, sem preconceito ou discriminação, ao novo. Precisam ser experienciadas ao um nível não racional, intuitivo, e daí então, as conclusões são pessoais, embora quase sempre unânimes quanto à existência de outros planos ou dimensões de vida. A razão tem limites que apenas são rompidos pelo sentimento. Este é o próximo diapasão evolutivo da humanidade. Quanto a estas dúvidas, a própria Física Quântica já proporciona aos mais racionais as comprovações científicas adequadas a estes questionamentos. A Espiritualidade nunca tenta impor nada, mas apenas por; e daí então cada qual, em sua busca individual, tem a capacidade de tirar de sua própria experiência suas próprias conclusões. Acredito que, muito em breve, se houver essa necessidade, a Física Quântica se torne capaz de comprovar não só o espírito, como também a existência de colônias espirituais e de outros planos de vida.
 
3 - No caso do seu livro, algumas informações podem causar ainda mais polêmica no meio espiritista, como é o caso da criação dos espíritos através de relações sexuais entre os espíritos puros. Sabemos que o movimento espírita tem muita dificuldade de discutir o tema sexo e há muito preconceito em várias casas espíritas em relação ao homossexualismo. André Luiz fala, por acaso, em homossexualidade no mundo espiritual? E como você, particularmente, vê a questão do sexo entre os espíritos?
 
Não devemos colocar estes esclarecimentos no rol da leviandade e da promiscuidade. Sempre enxergamos de acordo com o nosso curto alcance, e a humanidade ainda não aprendeu a conceber a união da sexualidade com o amor. Retrato de um condicionamento moral derivado dos dogmas religiosos da Era Medieval, onde se vivia num extremo do conceito distorcido do sexo, através da negação. Hoje, invertemos a polaridade, vivendo num outro extremo do desequilíbrio, o da libertinagem, na qual distorcemos novamente os objetivos divinos do sexo entre os pares.  A sexualidade no plano espiritual superior não está ligada à satisfação física e instintiva do corpo, mas à satisfação plena do coração. É bom que isto fique bem claro, e que não confundam a manifestação sexual superior com o nosso pequeno referencial distorcido do sexo que ainda possuímos. Particularmente, nunca abordei a questão do homossexualismo com André Luiz, mas considero uma fase de amadurecimento de um espírito no desenvolvimento do amor incondicional, dependendo de sua índole espiritual e de suas próprias escolhas, as quais merecem respeito e consideração sempre. Qualquer tipo de preconceito e discriminação é registro de involução. Já dizia Jesus: “Assim na Terra como no Céu”. Somos a imagem e semelhança de Deus; e se é assim que o Divino cria embaixo, assim também com certeza o é encima, de formas diferenciadas e muito mais puras e sublimes do que sequer possamos imaginar.
 
4 - Notei que André Luiz também vai além, neste livro, da clássica divisão kardequiana de espírito, períspirito e corpo físico. Ele usa os termos da Teosofia, influenciado pelas Psicosofias orientais que pensam o ser humano dividido em 7 grandes dimensões energéticas. Como ele pensa essa questão, Kardec estaria errado ou apenas quis simplificar essa questão, pois talvez não fosse ainda a hora de aprofundar o tema?
 
Não posso responder em nome de ninguém, mas duvido que André Luiz ou qualquer outro espírito que esteja realmente voltado para o esclarecimento dos homens na base do Amor, segundo os referenciais Crísticos aclarados em todos os Evangelhos, jamais ousariam condenar os salutares ensinamentos de Kardec como falsos ou inverídicos. Os Administradores Planetários certamente vão elucidando os homens aos poucos, segundo sua capacidade de amplitude mental, que delimita sua condição de compreensão de quando em quando. Imaginem se tentássemos ensinar aritmética a um cão, fatalmente fracassaríamos em nossos esforços. E assim também é com o homem, tanto em questões de Cosmologia, quanto na questão da multiplicidade de manifestações corpóreas e dimensionais, que creio serem ainda muito mais complexas do que as 7 divisões básicas que a Teosofia resgatou dos ensinos de Hermes Trismegisto, à cerca de 6000 anos antes da vinda do Cristo, e que Kardec sabiamente simplificou em sua época, para nosso melhor aprendizado.
 
5 - Para encerrar, fale um pouco mais dessa sua relação com ele. Você o enxerga? Conversa mentalmente com ele? Ao psicografar é intuitiva ou inconsciente?
 
Fiquei ciente de minha relação com André Luiz, logo que iniciei meu desenvolvimento mediúnico. Nunca havia lido suas obras, e meu referencial a seu respeito era apenas o já conhecido por todos, como o de um espírito que escrevia através da mediunidade de Chico Xavier. Desde o início de meu desenvolvimento, André Luiz apresentou-se como um mentor médico, e foi de ajuda inestimável no desenvolvimento de meus outros dons. Só iniciei a escrita alguns anos depois, de uma forma bem natural, em Janeiro de 2007, onde vários outros espíritos se apresentaram com a intenção de colaborar em meu treinamento na escrita, que futuramente, diziam eles, seria o dom mais importante que eu traria em minha tarefa mediúnica particular. Dois anos depois, André Luiz convidou-me a escrever com ele o livro “Morte e Libertação”, o que aceitei não sem reservas. Nestes dois anos, tornou-se necessário que a espiritualidade mostrasse a mim, em inúmeras regressões de memória, meu compromisso e minha vivência com todos eles, e também com André Luiz. Há muitas eras anteriores fomos grandes inimigos, e precisamos, como qualquer outro espírito, aparar nossas diferenças em encarnações, ora como amigos e companheiros, ora em família, o que aos poucos se transformou num forte laço de amor entre ambos, mesmo hoje estando eu encarnada, e ele em outro plano de vida. Não vejo diferença, no que tange ao sentimento, ter a meu lado alguém massificado em um corpo, ou não. André Luiz, além de um amigo amado, é alguém em quem confio e tenho imensa admiração e respeito. Conversamos mentalmente muitas vezes, mesmo informalmente, discutimos aspectos de suas obras, peço esclarecimentos a ele quando necessário, e o vejo ocasionalmente com menor dificuldade nos trabalhos mediúnicos de Nossa Casa, ou nos trabalhos em desdobramento que executamos em parceria com os espíritos. Meu dom psicográfico é semi-mecânico, ou seja, enquanto ouço intuitivamente o que é ditado, minha mão tem também o impulso da escrita. Somente agora, depois de 5 anos escrevendo, é que meus mentores me disseram que encerraram meu treinamento, e agora estou pronta para a escrita. Espero poder colaborar com o meu muito pouco, ao muito que ainda precisa ser edificado para o soerguimento da Humanidade à Luz. 
 
Agradecemos do fundo do coração por essa entrevista e te desejamos muito sucesso nessa dificil tarefa que é a psicografia, ainda mais de um espírito tão polêmico como André Luiz.
Que Deus te ilumine sempre.

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