O Poder da Palavra

01-07-2008 00:00

 

Toda palavra proferida possui um enorme efeito externo. Devemos estar sempre atentos e vigilantes quanto àquilo que dizemos, e à forma como dizemos. Muitas vezes, através da palavra impensada, agressiva ou imprudente, criamos situações embaraçosas e aborrecimentos indesejáveis, acabando por magoar ou mesmo criar inimizades. Ao contribuirmos na criação de tais sentimentos, estas vítimas de  nossa própria imprudência passam a gerar pensamentos negativos que são direcionados na maioria das vezes de forma inconsciente contra nós mesmos, atuando contra a nossa própria felicidade. 
 
André Luiz, espírito que ficou conhecido através da mediunidade de Chico Xavier, em seu primeiro livro - "Nosso Lar" - nos conta que, após reclamar por ter sido considerado um suicida, recebeu do benfeitor, entre outros, o seguinte esclarecimento: "A moléstia talvez não assumisse características tão graves, se o seu procedimento mental no planeta estivesse enquadrado nos princípios da fraternidade e da temperança. Entretanto, seu modo especial de conviver, muitas vezes exasperado e sombrio, captava destruidoras vibrações naqueles que o ouviam. Nunca imaginou que a cólera fosse manancial de forças negativas para nós mesmos? A ausência de autodomínio, a inadvertência no trato com os semelhantes, aos quais muitas vezes ofendeu sem refletir, conduziam-no frequentemente à esfera dos seres doentes e inferiores. Tal circunstância agravou, de muito, o seu estado físico” . Lembremos ainda as sábias palavras de nosso Mestre Maior: “O Mal não é que entra pela boca, mas o que sai dela”.                                                                            
 
Mesmo quando apoiados na razão e na Verdade, é necessário medir nossas palavras. Jesus, nosso exemplo maior, sempre foi dócil e amável, mesmo sendo o portador da Verdade. Sabia silenciar quando necessário, sabia como proferir um ensinamento, e utilizava as palavras com sabedoria. Jamais julgava ou agredia, mas nunca deixou de dizer aquilo que devia, demonstrando sempre impetuosidade, coragem e determinação. A verdade não existe para destruir e ferir, mas sim, para esclarecer, para abrir a consciência, mostrar novos caminhos e estimular o desenvolvimento da inteligência e da criatividade, operando dentro das mentes uma transformação que irá libertá-las do cárcere intelectual em que se encontram. Em outras palavras, a verdade existe para iluminar nosso caminho interior e remover o gesso das consciências.
 
Quantas pessoas, por se afirmarem verdadeiras, usam das palavras para massacrar, humilhar e ofender, semeando à sua volta sofrimento e rancor. Ao agirem assim, acabam se tornando vítimas de agressões mentais que, por vezes, perduram por toda uma vida e além dela, gerando graves problemas de relacionamento, e até mesmo retrocedendo ou impedido o seu próprio progresso espiritual. Sempre que proferimos injúrias, impropérios, e imprimimos em nossa comunicação emoções alteradas, estamos nos sintonizando, por afinidade comportamental, à consciências e energias daninhas e malsãs,  o que vem a agravar de forma muito complexa e muitas vezes por um longo período, o processo evolutivo pessoal e humano, gerando karma pessoal e  coletivo. 
 
A palavra, por si só, é apenas meio de comunicação. Os sentimentos com os quais a revestimos é que lhe dão o poder de esclarecer, consolar e criar, ou destruir, magoar e ferir. Dependendo da inflexão que damos às nossas palavras, elas podem causar efeitos que não desejamos. Jesus, profundo conhecedor dos sentimentos humanos, sabia a força das palavras, ao afirmar: "Que as tuas palavras sejam sim sim, não não!".
Toda palavra e conhecimento devem ser proferidos com sinceridade, porém, também carregados de amor e respeito pelo próximo. Aos nos tornarmos conscientes dos perigos em utilizá-los indevidamente, podemos aprender a nos tornar mais previdentes, começando por gerenciar nossas emoções com maturidade, aprendendo como e quando falar, e quando se calar.  Exercitar a tolerância, o autocontrole, a amabilidade nos tratos com os demais deve ser uma prática diária. Isto não nos torna fracos. Ao contrário, somos fracos quando não reconhecemos em nós mesmos nossas falhas de comportamento, e acabamos agindo com os outros de forma agressiva, por simples ignorância e temor em nos auto enfrentar. Aprender a nos comunicar é etapa importantíssima no processo de autoconhecimento, de autoconsciência, autoajuda e consciência holística. 
 
Cristina Lessa Cereja

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